Num comentário um pouco mais curto que o habitual, dado o estado de emergência que o país vive por causa dos fogos, Ana Gomes

Num momento em que Portugal vive em estado de emergência devido à vaga de incêndios que assola várias regiões do país, Ana Gomes não poupou palavras e dirigiu críticas severas ao executivo de Luís Montenegro.
A antiga eurodeputada e diplomata recorreu às redes sociais para expressar a sua indignação perante aquilo que considera uma resposta “lenta, desorganizada e sem visão estratégica” do governo. Para Ana Gomes, o país já deveria estar “há muito melhor preparado para enfrentar estas catástrofes recorrentes”.
Segundo a comentadora, a ausência de uma verdadeira reforma na proteção civil e na prevenção florestal demonstra que os sucessivos governos, incluindo o atual, não priorizaram devidamente a segurança das populações. “Estamos sempre a reagir em vez de prevenir, e isso custa vidas e destrói comunidades inteiras”, escreveu.
Ana Gomes sublinhou ainda que a falta de meios no terreno e a exaustão dos bombeiros são reflexo de uma má gestão política. “Não podemos continuar a depender do heroísmo dos bombeiros voluntários sem lhes dar condições dignas e sem reforçar os recursos técnicos que lhes permitam atuar em segurança”, apontou.
A ex-eurodeputada frisou também que, numa altura em que as alterações climáticas agravam fenómenos extremos, é urgente uma política nacional clara e eficaz de ordenamento do território. Para Ana Gomes, as promessas eleitorais e os planos de gabinete não chegam quando as chamas consomem aldeias inteiras.
As palavras de Ana Gomes já estão a gerar reações intensas: enquanto alguns apoiam a sua frontalidade, outros consideram que as críticas surgem num momento delicado, em que a união deveria sobrepor-se à divergência política. Ainda assim, o impacto das declarações é inegável e adiciona mais pressão sobre o executivo de Luís Montenegro.
O país continua a enfrentar uma situação dramática, com populações em alerta máximo, estradas cortadas e centenas de operacionais a combater as chamas. As próximas horas serão decisivas para controlar os fogos e para perceber se a resposta governativa consegue corresponder à dimensão da tragédia.





