Grupos de risco devem abandonar zonas de incêndio, alerta

Com os incêndios a alastrar em várias regiões do país, os especialistas da área da saúde lançam novos alertas dirigidos especialmente aos grupos de risco. Um pneumologista sublinha que crianças, idosos, grávidas e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas devem abandonar de imediato as zonas mais afetadas pelo fumo. O ar contaminado pelas partículas em suspensão pode provocar complicações graves em poucos minutos de exposição.
Segundo o médico, o perigo não se resume apenas às chamas visíveis. O fumo e os gases libertados durante um incêndio têm uma elevada concentração de substâncias tóxicas que podem agravar doenças já existentes e até desencadear crises respiratórias em pessoas saudáveis. “Quem já sofre de asma, bronquite ou insuficiência cardíaca tem um risco acrescido de ver o seu estado clínico deteriorar-se rapidamente”, afirmou.
O especialista reforça ainda que não se deve esperar até ao limite para abandonar a zona. “Muitas vezes, as pessoas acreditam que conseguem resistir dentro de casa, mas o fumo infiltra-se e torna o ambiente interior tão perigoso quanto o exterior”, explicou. O médico considera essencial que as populações mais frágeis procurem refúgio em locais seguros, como pavilhões municipais ou casas de familiares em zonas afastadas do fogo.
Outro dos pontos destacados pelo pneumologista prende-se com a importância da prevenção. Quem não tem possibilidade de sair de imediato deve utilizar máscaras adequadas — e não apenas as comuns de pano —, mantendo portas e janelas fechadas até conseguir encontrar ajuda. No entanto, reforça que esta deve ser sempre uma medida temporária, e não uma solução prolongada.
O calor extremo que acompanha os incêndios agrava ainda mais os riscos. A desidratação e o esforço físico de tentar salvar bens pessoais podem conduzir a colapsos súbitos, sobretudo entre os mais velhos. Por isso, a recomendação passa também por não carregar objetos pesados durante a evacuação e dar prioridade à segurança pessoal.
As autoridades de saúde estão alinhadas com estas recomendações, lembrando que a proteção civil deve ser sempre seguida à risca. Alertas e ordens de evacuação não são emitidos em vão, e ignorá-los pode custar vidas. A colaboração da população é considerada fundamental para reduzir o número de vítimas em cenários de tragédia.
Por fim, o pneumologista apela à consciência coletiva. “Salvar a vida deve estar acima de tudo. Casas e bens podem ser recuperados, mas a saúde e a vida não têm reposição. Quem está em grupos de risco não deve hesitar em procurar abrigo longe das zonas de perigo”, concluiu, deixando um aviso que pretende ser ouvido por todos antes que seja tarde demais.





